Adriano Mendes comunica saída da VP de Controladoria do Vasco; veja nota

Em longa e detalhada nota, Adriano Mendes comunicou sua saída da Vice-Presidente de Controladoria do Vasco da Gama.

A direção do presidente Alexandre Campello ganhou mais uma baixa. Nesta segunda-feira, o vice-presidente de Controladoria Adriano Mendes comunicou a sua saída da gestão do Vasco.

Em um longa nota oficial, publicada na página do grupo político "Desenvolve Vasco" em uma rede social, Adriano Mendes detalhou todo o trabalho feito em São Januário, criticou decisões do atual mandatário e apontou como motivo principal para a sua decisão as divergências na elaboração do orçamento de 2020.

Adriano Mendes afirmou ainda que o técnico Abel Braga foi contrato por um salário maior do que o pago a Vanderlei Luxemburgo e disse que a contratação do atacante Germán Cano e as negociações em andamento não tiveram "comunicação prévia ao Departamento Financeiro para avaliação da sua adequação ao fluxo de caixa do clube" em um período de "delicada situação financeira, inclusive com salários em atraso".

- Desligo-me por entender que, a partir do momento em que divirjo da direção financeira da Administração, meu auxílio direto não mais contribuirá para o alinhamento de rumo que toda organização precisa. Minha relação com o Presidente seguirá sendo cordial, com apreço pessoal a sua figura. Sigo à disposição do Clube. Sou vascaíno de coração - escreveu Adriano Mendes.

Desde o começo de 2020, um ano eleitoral, Adriano Mendes é o terceiro nome a deixar a direção do Vasco. Antes dele, João Marcos Amorim, então vice de de Finanças, e Horácio Junior, assessor da presidência, renunciaram aos respectivos postos.

João Masrcos Amorim, Campello e Adriano Mendes

Confira a nota oficial de Adriano Mendes

Rio de Janeiro, 20 de janeiro de 2020

Aos Vascaínos

Comunico na presente data o meu desligamento do cargo de Vice-Presidente de Controladoria do Club de Regatas Vasco da Gama. Visando evitar que especulações e desinformações venham a prejudicar o Clube, decidi prestar diretamente algumas informações acerca de minha participação e desligamento da equipe de gestão do Vasco da Gama.

1. MINHA ENTRADA NA ADMINISTRAÇÃO

Fui convidado pessoalmente no primeiro dia do mandato do Presidente Alexandre Campello para auxiliá-lo a estruturar a gestão do Clube e tentar controlar a gravíssima crise financeira que assolava o Vasco. Apesar do tamanho do desafio e do fato de ter divergido do ocorrido na finalização do processo eleitoral que elegeu o atual Presidente, decidi aceitar o convite. Afinal, tratava-se do Vasco da Gama, uma grande paixão em minha vida. Independentemente dos riscos envolvidos, aceitei com uma única condição: a obediência fiel a um Projeto de Recuperação Econômica e Institucional do Vasco da Gama, de duração de médio prazo, cerca de 6 anos, formulado por mim, Horácio Júnior, o próprio Presidente e outros vascaínos, e que consubstanciava um dos pilares do Programa do candidato Campello.

Vale destacar que o grupo político do qual participo, Desenvolve Vasco – DV, foi contrário ao meu ingresso na Gestão. Assumi sozinho tal responsabilidade, fruto de decisão pessoal, com o único intuito de prestar contribuição técnica, sem qualquer pretensão política.

Inicialmente, contei com a colaboração de alguns poucos integrantes da DV e com o passar do tempo, outros vascaínos do grupo passaram a apoiar meu trabalho, mesmo resistentes a integrar a Administração do Presidente Campello.

2. OS PRIMEIROS PASSOS DO PLANO DE RECUPERAÇÃO DO CLUBE (FEVEREIRO A MAIO DE 2018)

Nesse período, o foco do trabalho se deu em 3 direções:

i) Contratação de 4 empresas de primeira linha em suas áreas de atuação para as transformações estratégicas mais imediatas: KPMG (consultoria financeira), BDO (auditoria externa), Grant Thornton (terceirização da Contabilidade) e TOTVS (implantação de sistema integrado de gestão e informação);

ii) Elaboração de Demonstrações Financeiras com sensível melhora técnica e do nível de transparência em relação aos balanços historicamente publicados pelo Clube; e

iii) Diagnóstico da Situação financeira e elaboração de um Planejamento Financeiro com metas de curto e médio prazo, visando à adoção das medidas que fossem necessárias para a recuperação econômica definitiva do Clube.

As metas estabelecidas foram integralmente cumpridas, propiciando um promissor início de transformação na forma de gerir financeiramente o Clube. Simultaneamente à implementação dessa etapa inicial do Plano de Recuperação, o Presidente Campello rompeu com seu grupo político no início de maio/2018, imediatamente após a tomada de outras 2 ações muito relevantes para o Plano em curso:

• Reformulação dos processos de operações de partidas de futebol profissional; e

• Reestruturação do Setor de Cobrança, que administrava o Programa de Sócios Estatutários do Clube, questão crítica cujo principal problema emergia quando da realização de eleições no Clube.

A condução firme e corajosa do Presidente Alexandre Campello foi vital para que todas as mudanças se concretizassem.

3. OS SETE ÚLTIMOS MESES DE 2018

Com a saída dos correligionários do Presidente, foi conferida a mim a oportunidade de coordenar o processo de reformulação da Diretoria Administrativa, convidando integrantes dos grupos Cruzada, Petrovasco e do hoje existente Ao Vasco Tudo para fazer parte da gestão do Clube. Tais escolhas sempre se faziam sob duas condições: os integrantes que viessem a assumir deveriam ser reconhecidos técnicos em suas áreas de atuação e prestar apoio irrestrito ao Plano de Recuperação em curso.

Foi nesse contexto que o Vasco ganhou técnicos do nível de João Marcos Amorim em Finanças, Horácio Jr., no Planejamento, uma competente equipe no Patrimônio/Obras liderada por Rodrigo Saavedra e Pedro Seixas, além de Diego Carvalho na Secretaria.

Com a ativa atuação desse time e dos demais integrantes da Diretoria, as principais ações da Administração foram:

• Revisão dos processos em todo o Clube, principalmente a centralização das compras e maior controle dos estoques;

• Reestruturação do quadro de funcionários com redução do valor da folha de pagamento; e

• Levantamento e Renegociação das dívidas, com grande ganho financeiro.

O Vasco regularizou seu fluxo de caixa com o uso responsável dos recursos da venda de atleta de futebol e conseguiu ficar em dia com seus compromissos até o mês de setembro daquele ano, inclusive com a folha de pagamento e impostos. Desde o início do trabalho, com base no fluxo de caixa elaborado após a realização do diagnóstico econômico-financeiro, identificou-se a necessidade de um empréstimo da ordem de R$ 40 Milhões. Tal montante somente foi obtido integralmente em fevereiro de 2019, com grande atraso em relação ao planejado, resultado das discussões políticas ocorridas no período.

Vale aqui registrar uma primeira consideração sobre os custos do Futebol no Vasco. Após a dramática permanência na Série A em 2018, concordei em conjunto com o time orçamentário, que os gastos do futebol poderiam ser ligeiramente maiores do que o planejado e decidimos alocar um orçamento mensal de R$ 4 Milhões apenas para o time profissional, valor que restou totalmente comprometido com o grande número de contratações realizadas nos meses de dezembro de 2018 e janeiro de 2019. Naquela época, o planejamento financeiro previa a necessidade de redução de cerca de R$ 600 mil em relação a esse valor orçado, porém, ainda impactados pelo desempenho esportivo verificado na Série A em 2018, e considerando a confiança no trabalho que vinha sendo realizado, construiu-se o consenso orçamentário ali praticado.

4. O Ano de 2019

Após iniciar com sucesso o processo de estruturação do Clube, o foco do trabalho passou a ser o da implementação de ações estratégicas e da continuidade das medidas de reforço da estrutura administrativa. Os principais avanços dessa etapa são relacionados a seguir:

• Publicação de Demonstrações Contábeis com excelente nível técnico e inédito grau de transparência;

• Apuração de lucro de mais de R$ 65 Milhões e redução do endividamento em R$ 93 Milhões;

• Parceria estratégica celebrada com o Banco BMG, cujos objetivos extrapolam a relação decorrente do patrocínio máster contratado, passando pela implantação de um banco digital do Vasco e muitas outras ações com ganhos recíprocos para ambas as partes;

• Reformulação completa do Departamento de Pessoal, com implantação de módulo do sistema TOTVS, revisão dos processos e criação do Departamento de Recursos Humanos;

• Elaboração e aprovação do Projeto de Reforma de São Januário, hoje uma realidade para o Clube, com elevada probabilidade de captação dos recursos já no 1º semestre de 2020;

• Formulação e execução do projeto do tão sonhado Centro de Treinamento, parcialmente viabilizado pelo apoio massivo e direto da nossa Torcida, passando uma importante mensagem acerca da grandeza do Clube;

• Reformulação do Programa de Sócios, que teve como premissas a integração dos programas de sócios torcedores e estatutários, revisão de políticas e preços, além da contratação da empresa Feng para o gerenciamento do programa. Registre-se que todo o trabalho de estruturação realizado foi essencial para viabilizar com eficiência e agilidade o movimento mágico e único na história do futebol, a adesão em massa da nossa Torcida ao Programa de Sócios. Tal sistema suportou a entrada de mais 150 mil sócios em menos de 1 mês. Nosso quadro atual de mais de 180 mil sócios é uma mensagem contundente para o mercado do futebol;

• Finalmente, a difícil negociação de operação financeira inédita no futebol brasileiro, com a utilização de recebíveis futuros para pagamento de dívidas atuais com deságio. O pioneirismo desta operação se deve à indexação dos recebíveis a dívidas específicas, possibilitando a celebração de acordos com a participação dos recebíveis dos direitos de TV. Realizada a primeira operação em novembro e dezembro/2019, verificou-se ganho econômico em torno de R$ 15 Milhões com a extinção de dívidas antigas, inclusive uma que se arrastava desde o ano de 2000.

Resta claro o avanço do Clube nas ações estratégicas e estruturais. Entretanto, e naturalmente, o fluxo de caixa continuou e continua sendo um grande desafio para o Clube. Persiste um grande nível de comprometimento das receitas, apesar do incessante trabalho de redução dos gastos. O Orçamento do ano de 2019 demonstrava a necessidade de elevados empréstimos, algo que não se obteve como previsto, precisando o Clube recorrentemente enfrentar obstáculos políticos e de ordem interna para avançar nessa importante frente.

É de se ressaltar também a frustração de arrecadação na venda de jogadores e nas receitas oriundas de marketing, em torno de R$ 45 Milhões, o que, adicionado aos efeitos do novo contrato de direitos de transmissão de TV (as receitas passaram a ser concentradas no final do ano) e um número elevado de penhoras judiciais, levou a uma deficiência de caixa de mais de R$ 50 Milhões a ser obrigatoriamente compensada no exercício de 2020.

Frise-se que a associação em massa de sócios teve financeiramente o positivo efeito de amenizar ligeiramente o difícil cenário, com uma entrada imediata de recursos superior a R$ 12 Milhões. Em contrapartida, ao longo do ano, ocorreram também gastos extras no futebol.

Após uma final decepcionante no Campeonato Carioca e um péssimo início no Campeonato Brasileiro de 2019, compreensivelmente, mudanças foram implementadas no futebol. Um novo técnico e alguns jogadores foram contratados, gerando gasto adicional de R$ 1 Milhão mensal em relação ao orçado. Apesar de ser um novo revés na situação financeira do Clube, dado o real risco de rebaixamento naquele momento, tais gastos não foram rejeitados de imediato. Optou-se então por fazer a compensação desses gastos adicionais no Orçamento de 2020.

5. AS DIVERGÊNCIAS NO ORÇAMENTO DE 2020

O Orçamento de 2020 foi elaborado durante o mês de outubro de 2019 por uma Comissão de 6 especialistas na área, sendo eu um dos integrantes, tendo sido entregue no dia 30 de novembro para avaliação do Conselho Fiscal, que deu parecer favorável à peça orçamentária. Em seguida, o Orçamento foi aprovado pelo Conselho Deliberativo em 26 de dezembro passado.

Trata-se de uma peça precisa, dado que a equipe que a elaborou possui amplo conhecimento das receitas e despesas do Clube após 2 anos de gestão. Apesar da previsão de um lucro expressivo, principalmente por novas ações de redução de gastos e novo nível de arrecadação com sócios, o orçamento também prevê a necessidade de empréstimos de mais de R$ 40 Milhões. Isso em consequência da necessidade do pagamento de mais de R$ 180 Milhões em dívidas para o presente ano, a maioria contraída há longa data e de difícil renegociação.

Um ponto adicional a se destacar por ampliar o problema é o fato de que grande parte da necessidade de empréstimos se dá logo no início do ano, especialmente no mês de janeiro, tornando novamente a situação de caixa muito difícil. Tal panorama foi destacado na referida reunião do Conselho que aprovou a peça orçamentária. Além disso, a elevada premiação do Campeonato Brasileiro foi objeto de penhora, recurso que certamente amenizaria o volume de dívidas operacionais em atraso a serem pagas em 2020.

Essa difícil situação financeira não era novidade. Certamente apresentava-se como menos crítica do que aquelas enfrentadas e contornadas nos exercícios de 2018 e 2019, mas, assim como ocorrido nessas outras crises, precisava ser enfrentada com ações firmes e imediatas. O fiel cumprimento do rigoroso Orçamento elaborado é a primeira dessas medidas. A segunda é a adoção de medidas adicionais para regularizar os valores atrasados de 2019.

Foi nesse cenário que fui surpreendido por ações que contrariavam a direção que entendi, em conjunto com o time financeiro, como necessária para a gestão financeira do Clube, especialmente neste início do ano. De forma objetiva, relaciono a seguir os principais pontos que entendo conflitarem com a condução planejada:

• A contratação de novo técnico por valores superiores àqueles pagos ao treinador anterior, a contratação de jogador já efetivada e as demais negociações para contratações de jogadores em andamento, sem comunicação prévia ao Departamento Financeiro para avaliação da sua adequação ao fluxo de caixa do Clube, mesmo com a delicada situação financeira que o Clube atravessa, inclusive com salários em atraso;

• A falta de priorização na destinação dos recursos financeiros, de acordo com as premissas estabelecidas pelo Plano de Recuperação do Clube, para o pagamento de impostos, salários em atraso e fornecedores estratégicos, fugindo ao senso comum a lógica de não se efetuarem quaisquer outros pagamentos antes desses citados, como efetivamente tem ocorrido;

• A não observância fiel ao Orçamento debatido com o Presidente em outubro e dezembro de 2019 e por ele defendido em recentíssima reunião do Conselho Deliberativo para a sua aprovação, Orçamento que contempla um remédio amargo, mas necessário, a ser adotado de imediato. Afinal, este Orçamento é parte fundamental do Plano de Recuperação Financeira do Clube para 2023.

Acrescento que, a meu ver, a conclusão de que a não realização de contratações nesse momento representa um risco de rebaixamento para o Campeonato Brasileiro de 2020 não deve prestigiada. Nosso time atual tem seu valor e nossa categoria de base tem mostrado reiterado sucesso no que vem produzindo nos últimos anos. Além disso, tal como ocorrido em 2018 e 2019, o time com que se inicia a temporada sempre pode sofrer ajustes no decorrer do ano. Assim, não me parece imprescindível, diante do quadro financeiro do Clube, fazer contratações já em dezembro de 2019 com receio de rebaixamento no final de 2020. O que é prioritário nesse momento é enfrentar uma escassez de recursos no mês de janeiro de 2020, que tem que ser solucionada de imediato.

Registre-se, ademais, que dos R$ 3,3 Milhões mensais previstos no Orçamento de 2020, cerca de R$ 1,5 Milhão referem-se a pagamentos para atletas que não serão aproveitados no elenco atual ou há muito não vêm atuando pelo Clube. Enfrentar tal situação é mandatório, buscando-se negociações que resultem em drástica redução desses valores.

Todos esses pontos foram densamente debatidos com o Presidente Campello. Hoje tenho claro que sua visão é amplamente divergente da minha, o que restou reforçado pelo conteúdo de suas afirmações em vídeo publicado pelo Clube nos últimos dias. Não se trata, portanto, de uma pequena divergência conceitual, facilmente contornável. Ao contrário.

Acredito que nada é mais relevante do que conseguirmos a completa e definitiva recuperação financeira do Vasco da Gama em 2023, como previsto no Plano de Recuperação Financeira que todos os participantes da gestão conhecem, além da imprensa esportiva e da comunidade vascaína, uma vez que foi apresentado ao público em Evento para Investidores realizado em 2019. Esse foi um compromisso por mim assumido em 23 de janeiro de 2018 quando da minha chegada ao Clube. Não podemos hesitar na execução desse Plano, não podemos desviar de seus trilhos. Não podemos deixar de lutar pelo futuro grandioso que podemos ter para pensar em resultados esportivos medianos no presente. O Orçamento de 2020 é parte fundamental do sucesso desse planejamento, até para correção dos desequilíbrios orçamentários de 2019. Não seguir esse caminho é adiar, senão impedir, o almejado e sustentável equilíbrio financeiro que trará consigo a recuperação da capacidade de investimento do Clube.

Para mim, é evidente que o maior problema do Clube é sua frágil situação financeira, derivada de elevado endividamento, e vencer essa fragilidade é o maior título a se conseguir no momento. Acredito que é preciso um sacrifício maior no futebol hoje, que proporcione a outros gestores a oportunidade de obterem no futuro os resultados esportivos que todos os vascaínos tanto desejam. Minha luta e minha maior convicção são no sentido de conseguir esse título invisível de equacionamento do endividamento, de difícil reconhecimento público, que precisa, porém, ser conquistado para a reversão da trajetória recente do Clube. Os títulos esportivos podem até não vir agora, mas será nossa realidade num futuro não tão distante.

Além disso, estamos obtendo sucesso nos aspectos mais estratégicos do Plano, com a construção do Centro de Treinamento, a reforma de São Januário, o aumento do número de sócios em grandeza semelhante à verificada nos maiores clubes do mundo, a imprescindível Transparência Contábil, a reestruturação de Dívidas por meio de instrumentos como o FDIC, além da elaboração de planejamento financeiro de médio prazo. Tudo isso fala por si. Não podemos, por causa dessas conquistas, abrir mão de seguir nessa caminhada até o endividamento cair para perto de R$ 300 Milhões, e tampouco deixar de acompanhar rigorosamente os movimentos de fluxo de caixa do Clube e tomar todas as medidas possíveis para seu reequilíbrio, por mais rigorosas e impopulares que sejam tais ações. O fluxo de caixa do Clube, dado o comprometimento das receitas com pagamento de dívidas há muito atrasadas, sempre será o maior desafio a ser vencido na gestão do Vasco da Gama até a redução do endividamento a um montante compatível com as receitas geradas.

Sou de opinião de que o Vasco ainda necessita de um rigoroso novo corte de gastos, adicional ao previsto no Orçamento elaborado para 2020 e que todo recurso obtido nessa frente seja destinado para o pagamento dos montantes em atraso. O Presidente entende, ao contrário, que o Orçamento não precisa ser seguido com tal rigor, especificamente no Futebol, e que há espaço para novas contratações, com gastos adicionais aos previstos originalmente pela equipe financeira do Clube. Entendo que isso representa um rompimento com os principais conceitos estabelecidos no Plano de Recuperação de Médio Prazo e coloca uma pressão desnecessária e não razoável no já apertado fluxo de caixa do início do ano.

Não existe verdade absoluta, e sim duas visões distintas sobre como lidar com os problemas que precisam ser geridos. Evidentemente a visão do Presidente pode mostrar-se acertada no futuro.

Sendo assim, a melhor solução para o momento, a meu ver, é que o Presidente possa fazer valer suas convicções, sem que se sinta confrontado, dentro da sua própria Administração, por visões e ações potencialmente conflitantes com as de sua estratégia. A coesão e o alinhamento na Alta Administração de qualquer organização são essenciais nos exercícios de gestão.

Nesse sentido, desligo-me da Administração, colocando-me à inteira disposição para continuar a auxiliar, se for desejo do Presidente, nos projetos que se caracterizam por pertencer ao Clube e não à sua Administração, tais como:

• Reforma de São Januário

• Centro de Treinamento

• Parceria Estratégica com o BMG

• Novas operações de reestruturação da dívida

6. O Futuro

O futuro do nosso Clube está sendo efetivamente construído e decidido agora e, nesse sentido, todos os vascaínos devem continuar apoiando decisivamente a atual Administração, que tem procurado colocar o Vasco no caminho de reerguimento institucional que tanto queremos. Erros acontecem sempre, mas os acertos têm sido amplamente superiores.

As mudanças que estão sendo empreendidas surtirão efeitos no longo prazo e o desafio atual é especialmente maior, pois a cobertura da imprensa em um clube de futebol não perpassa as iniciativas aqui descritas, mas os resultados dentro de campo, ainda desafiadores, ou as dificuldades imediatas típicas do processo de recuperação.

Entretanto, se, por um lado, o grande público ainda não possui familiaridade total com o processo de transformação em curso, por outro, isso já é realidade no relacionamento do Clube junto aos seus principais stakeholders como bancos, TV, empresas de consultoria e investidores, que estão franqueando alta credibilidade aos pilares que o Clube e suas lideranças estão fincando, por vislumbrarem de forma mais clara onde iremos chegar.

Desligo-me por entender que, a partir do momento em que divirjo da direção financeira da Administração, meu auxílio direto não mais contribuirá para o alinhamento de rumo que toda organização precisa. Minha relação com o Presidente seguirá sendo cordial, com apreço pessoal a sua figura. Sigo à disposição do Clube. Sou vascaíno de coração.

Não existe desembarque generalizado de apoio, sabotagem política ou saída por motivos eleitoreiros. Minha ausência será perfeitamente suprida pelos excelentes profissionais e voluntários que hoje estão no Quadro de Empregados do Vasco da Gama. De minha parte, apenas encerra-se um ciclo de 2 anos de contribuições de um vascaíno apaixonado pelo seu Clube, como todo torcedor do Vasco.

Procurei relacionar os avanços realizados nos últimos 2 anos não para enfatizar a minha contribuição, mas para reafirmar a força do Clube e a qualidade dos profissionais que lá estão. Todos os feitos descritos foram realizados por eles, com uma modesta participação minha sempre que necessário.

Apesar da situação financeira narrada, o Clube possui todas as condições para enfrentar e vencer mais esse momento delicado. A maior evidência disso foi a superação de momentos muito mais desafiadores do que o atual nos 2 últimos anos. Envolvido que tenho estado com a solução das pendências financeiras, que não desejamos que se tornem maiores com o descumprimento do orçamento, deixei pactuadas medidas que podem viabilizar aportes no clube nos próximos dias. Tenho a certeza de que a direção do Clube e seus profissionais levarão a cabo tais medidas para garantir o pagamento dos salários dos empregados do clube. Além disso, existe um mapeamento preciso do que precisa ser realizado e acompanhado no Orçamento do Clube, assim como ações adicionais já planejadas e que permitem sanear a insuficiência financeira atual, com ações duras, mas necessárias. Caberá à Administração atual a decisão quanto à execução dessas ações.

Agradeço a todos que me apoiaram nesses últimos 2 anos. À minha família que tanto se sacrificou para que eu pudesse auxiliar meu Clube. Ao Presidente Campello pela oportunidade conferida. Aos meus companheiros da Desenvolve Vasco - DV pela lealdade e aprendizado. Aos parceiros da Cruzada, Petrovasco e Ao Vasco Tudo pela confiança. Aos conselheiros e beneméritos pelo tratamento sempre cordial que me conferiram. Aos colegas da Diretoria pela honra de batalhar nessa guerra justa ao lado de vocês. A todos os funcionários, obrigado pelo exemplo de profissionalismo.

E, como não poderia deixar de mencionar, agradeço especialmente à gigantesca e maravilhosa Torcida Vascaína em todo o Brasil. Vocês são os verdadeiros donos desse Clube maravilhoso e de História ímpar, os verdadeiros responsáveis pela retomada do Vasco da Gama nesses 2 últimos anos. Tive o privilégio de estar na Administração do Clube e viver de perto esses recentes movimentos de apoio incondicional ao Vasco, em um momento de turbulência política, crise econômica no País e tímidos resultados em campo. Fico emocionado sempre que penso no que aconteceu. Nossa Torcida é realmente única. Precisamos seguir apoiando nossos meninos formados na base de São Januário, muito qualificados e sempre capazes de dar excelente resposta quando chamados a defender nosso Clube. Assim o farão mais uma vez. Jovens que são, precisarão de apoio incondicional no início de suas vidas profissionais. Com tempo e apoio, certamente mostrarão seu valor. Abracemos esses meninos, tal como temos feito com o nosso Clube, no momento em que mais precisam de nós.

Saudações vascaínas,

Adriano Dias Mendes

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