A Munição e a Cruz: o ‘Ramonismo’ e a missão que transcende os resultados

O Vasco da Gama de Ramon Menezes não encanta seus torcedores, mas tem o que o Gigante mais precisa: resultados.

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Por Willams Meneses
-  8 de setembro de 2020 às 22:32-  Atualizada em 8 de setembro de 2020 às 22:33
Ramon Menezes (Foto: Rafael Ribeiro/Vasco)

Esse começo de Campeonato Brasileiro tem sido surpreendente até para os vascaínos mais otimistas. Se passaram oito rodadas e o Vasco da Gama está entre os primeiros colocados com uma partida A MENOS, o confronto com o Palmeiras, em jogo atrasado da primeira rodada.

Mais precisamente, o Vasco está na quarta colocação com 14 pontos, somente três a menos do que o líder Internacional, que tem 17. Inclusive, o Gigante é o carioca mais bem colocado, aparecendo logo à frente do Flamengo, que está em quinto com a mesma pontuação, só que com saldo de gol inferior (6×1).

Além disso, o Vasco tem o segundo melhor ataque (11 gols) e a melhor defesa (cinco gols) da competição até o momento. No entanto, todos esses requisitos não estão sendo suficientes para que o Cruzmaltino seja acreditado por boa parte da imprensa e até por alguns torcedores. É nítido que existe um pouco de má vontade, mas o próprio Gigante deu Munição para tal desconfiança.

Para saber disso é só analisar as últimas temporadas do Vasco. Na grande maioria das vezes brigou na parte de baixo da tabela, e apenas figurou em outras competições importantes como a Copa do Brasil. Esse cenário fez com que o Cruzmaltino passasse uma imagem de um mero coadjuvante no futebol brasileiro.

Pela camisa que o Vasco tem, isso não é aceitável. Mas era o que se via em campo até ‘ontem’. Ainda é muito cedo para dizer que o Vasco virou essa página, e é aí que entra o papel do ‘Ramonismo’. É a grande oportunidade de tirar essa Cruz que o Cruzmaltino carrega por suas próprias ações num passado nada distante.

Não é um time brilhante. Longe disso. Tem seus defeitos, mas quem está jogando essa bola toda no Campeonato Brasileiro? Nem o líder Internacional está assim. Apesar de não estar jogando um futebol vistoso, o Vasco tem conseguido o que vale no fim das contas: RESULTADOS.

O grande medo da torcida e ponto destacado pela imprensa é em relação ao elenco do Vasco. Realmente, não é um plantel vasto de opções, principalmente quase se fala em substituto para o artilheiro Germán Cano, mas nos desfalques que já apareceram até o momento, o que viu foram os substitutos dando conta do recado dentro do possível.

Sim, o Vasco ainda vai oscilar dentro da temporada. Mas todos vão, é um processo que se repete sempre. Se vai conseguir se manter lá em cima? Não se pode afirmar que sim, mas também não se pode cravar que não, certo? “Ah, a torcida está se iludindo”. Não! Estão sendo simplesmente torcedores. Futebol é momento, como se costuma dizer.

A única certeza que se tem hoje é que o Vasco é um dos primeiros colocados do Campeonato Brasileiro, e ainda segue vivo na Copa do Brasil e na Sul-Americana. Será uma sequência de temporada bastante árdua, desgastante e muita coisa ainda pode acontecer. Jogadores podem sair, outros podem chegar.

Mesmo nesse cenário de incertezas, o Vasco de Ramon Menezes já mostrou que merece um voto de confiança. É cascudo, é guerreiro, é batalhador. Um dos melhores elencos do Gigante nos últimos anos no quesito comprometimento, potencializado com algumas peças de qualidade acima da média, e um toque especial do técnico que os conhece muito bem.

Não espere um jogo bonito. Pode acontecer, mas não é necessariamente preciso quando se fala no nível do futebol brasileiro no momento. Futebol é resultado. Entre jogar bonito e ser cirúrgico, no fim das contas o que vale é o segundo. Meio a zero é GOLEADA quando não se pode ir além por suas limitações.

Vão tentar de todas as formas diminuir os feitos do Vasco, cabe ao torcedor filtrar tudo e seguir em frente. Se tudo der certo, o trabalho de Ramon Menezes trará bons frutos e o respeito que o GIGANTE merece. Se depender desse grupo, a chance é grande! Como diz Paulinho: “Nada é impossível para quem carrega a Cruz de Malta no peito”.

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