Julio Brant fala sobre seus projetos para o Vasco

O candidato Julio Brant falou sobre seus projetos e de como será sua gestão no Vasco da Gama, caso seja eleito.

Reforma profunda em São Januário, parceria para o futebol profissional e promessa de modernização na gestão do Vasco. Essas são as principais propostas do empresário Julio Brant, 41 anos, candidato pela segunda vez à presidência do clube carioca. Apoiado por ídolos como Edmundo, Pedrinho e Felipe, o opositor de Eurico Miranda concedeu entrevista para falar sobre sua plataforma de governo.

Nas eleições presidenciais do dia 7 de novembro, concorrerão também Fernando Horta e Alexandre Campello, além do atual presidente Eurico Miranda. O ESPN.com.br fará pedido de entrevista para todos os presidenciáveis.

Procurado por meio da assessoria do Vasco, Eurico Miranda não quis falar com a reportagem.

Leia abaixo a entrevista com Julio Brant:

ESPN - Fale sobre os planos de vocês para o Vasco

Julio Brant - Queremos uma mudança radical do ponto de vista gerencial. O futebol deixou de ser indústria do esporte para ser indústria do entretenimento. As cifras são completamente diferentes. Não é mais só esporte. Os jogadores têm esse perfil hoje de popstar. Você precisa do popstar para alavancar a atenção do público. Houve uma mudança grande que ainda não chegou ao Brasil, mas irá chegar. Nos Estados Unidos já é um fato e na Europa também. Em termos de patrocinador começou a competir. Queremos uma mudança de lógica com uma gestão que perceba e entregue o que o mercado quer.

ESPN - Quais os planos do seu grupo para São Januário?

Julio Brant - A gente entende que São Januário é um estádio muito bucólico e diferente dos outros. Ele tem uma arquitetura e uma aura de saudosismo que deve ser mantida. Nós fizemos uma parceria com uma empresa portuguesa chamada Tecnoplano, que construiu e projetou os principais centros de treinamento e estádios da Europa. Eles desenharam para gente uma reforma que manterá as características charmosas do estádio, mas ao mesmo tempo dando acessibilidade, mais conforto e fazendo uma cobertura integral. Queremos fechar o anel para aumentarmos a capacidade e com isso recebermos jogos internacionais. Queremos melhorar acesso, entrada, banheiros e sala de imprensa. Não é a construção de uma arena. Mas uma reforma no novo estádio de São Januário. A gente quer garantir a presença do vascaíno que pode pagar de R$ 8 ou R$10 até o que pode pagar R$700. O estádio irá refletir isso. A ideia é ter um setor que lembre as tradicionais e inesquecíveis gerais. E o camarote será extremante confortável e luxuoso se o torcedor quiser pagar mais caro. Queremos garantir que todas as classes sociais possam ser contempladas no estádio. A bilheteria precisa voltar a remunerar o clube e seja uma fonte de receita fixa do Vasco, mas não queremos que isso seja a custo da participação do vascaíno mais modesto.

ESPN - Qual valor seria gasto nessa obra?

Julio Brant - Nós temos uma previsão de orçamento que está de R$109,8 milhões para reforma do estádio hoje. A gente tem que buscar no projeto para aumentar a capacidade do estádio e vender cinco mil cadeiras especiais a R$ 20 mil. Elas serão confortáveis, com local privilegiado e terão o nome do sócio. Isso dará direito por 15 anos para o torcedor ver jogos por lá. Isso garantirá R$100 milhões de receita para o projeto. Vamos fazer uma parceria com uma instituição financeira e estruturar com o banco para anteciparmos essa receita para começar a obra. Temos conversas com patrocinadores de fora do Brasil com projetos de mais longo prazo, cerca de 6 a 10 anos para o clube. Mais do que um patrocinador, será um parceiro que irá casar com o Vasco por esse período. Irá trazer recursos para o clube que a gente imagina no mínimo em torno de R$300 milhões a R$350 milhões por esse período.

ESPN - Seria uma parceria em que tipo de modelo?

Julio Brant - Seria uma parceira com modelo de integração de direitos de uso de imagem que vai desde ativos nossos até jogadores. Uma parceria com a base também para rentabilizar os interesses do parceiro. E também de patrocínio, exposição de marca. Além disso, uma série de ações promocionais, de marketing com a realização de jogos de interesse do patrocinador fora do Brasil. Também poderemos fazer uma estruturação de escolas e outro time Vasco da Gama no país de origem deste patrocinador para estimular o desenvolvimento do futebol neste país. A ideia é fazer uma parceria binacional, quase uma parceria de estado. Isso teria como objetivo de desenvolver o futebol em um determinado país que é interesse do parceiro, que tem interesse no Brasil e neste país também.

ESPN - Qual seria esse parceiro? Pode falar nomes?

Julio Brant - Não posso. É totalmente sigiloso. Essa é uma condição para podermos explorar na nossa campanha. Eu não posso quebrar essa confiança.

ESPN - Como você avalia atual gestão do Vasco?

Julio Brant - Se eu tivesse que dar uma nota de zero a dez é zero. Não tem condições de fazer com que o Vasco dê a virada necessária para voltar a ser um grande clube. Sair da faixa média e voltar a ser grande clube. Eurico não tem condições de fazer isso. É um fato.

ESPN - O que você pretende mudar na gestão do Vasco?

Julio Brant - Tudo. Hoje temos uma grande consultoria como parceira nossa. O diretor dessa empresa apresentou o projeto no dia da nossa candidatura. A encomenda que dei para eles é começar do zero. Precisa redesenhar todos os processos de gestão do clube. Desde a rotina financeira, controladoria, contabilidade, logística, comercial e marketing até a relação com os sócios. Tudo isso a partir da nova realidade. Isso se reflete no planejamento estratégico de onde se quer chegar, que recursos você precisa e como você os utiliza. Eu disse: ‘Esquece o que esta lá. Nos primeiros meses vamos ter que trabalhar da forma como está. Mas não vamos remendar, nós vamos construir uma nova realidade’.

ESPN - De que forma?

Julio Brant - Temos que implementar uma gestão corporativa que faça gestão financeira, estoque, fluxo de aprovação de compras. Colocar isso para funcionar. São coisas que não aparecem. Nós queremos a gestão atuando diretamente com o futebol. Não adianta o torcedor chegar no bar e falar assim: 'Esse ano eu clube teve R$350 milhões de lucro'. Mas quantos títulos ganhou? No final, o clube tem que trabalhar com alegria. Só que também você não chega nesta alegria neste momento sem um processo ou gestão e organização. Sabe por que? Porque o jogador não vem pra clubes assim mais. Eles têm uma visão extremamente profissionalizada. Eles não vem mais para clubes que não oferecem um mínimo de estrutura e organização para poder jogar. E estão certos. Virou uma relação profissional de fato. Como é o centro de fisiologia e recuperação do atleta? Como vão ser tratados para melhorar a performance? Ele não só olha o aspecto da marca do clube, que o projete, mas também a estrutura. Se você não tem isso, não atrai os melhores jogadores. E se você não tem os melhores, não chega a lugar algum. É uma mudança completa do que é feito hoje. O Vasco comemora hoje o Caprres. Mas o Caprres é medíocre pelo ponto de vista do mercado brasileiro e mundial. Estou falando dos cinco melhores do Brasil e do mundo. É bom perto do que tinha antes? É. Mas o que isso visualiza ao mercado? Nada. O Vasco tem atletas se lesionando e na metade do segundo tempo está com dificuldades para correr. Não é desta temporada. Você vê claramente essa dificuldade dos jogadores em manterem o ritmo no segundo tempo. O time fica lento. Isso é trabalho físico. Se não consegue uma profunda reforma nisso não consegue atrair o melhor. E não consegue o melhor resultado.

ESPN - O que você pretende mudar na gestão do Vasco?

Julio Brant - Tudo. Hoje temos uma grande consultoria como parceira nossa. O diretor dessa empresa apresentou o projeto no dia da nossa candidatura. A encomenda que dei para eles é começar do zero. Precisa redesenhar todos os processos de gestão do clube. Desde a rotina financeira, controladoria, contabilidade, logística, comercial e marketing até a relação com os sócios. Tudo isso a partir da nova realidade. Isso se reflete no planejamento estratégico de onde se quer chegar, que recursos você precisa e como você os utiliza. Eu disse: ‘Esquece o que esta lá. Nos primeiros meses vamos ter que trabalhar da forma como está. Mas não vamos remendar, nós vamos construir uma nova realidade’.

ESPN - De que forma?

Julio Brant - Temos que implementar uma gestão corporativa que faça gestão financeira, estoque, fluxo de aprovação de compras. Colocar isso para funcionar. São coisas que não aparecem. Nós queremos a gestão atuando diretamente com o futebol. Não adianta o torcedor chegar no bar e falar assim: 'Esse ano eu clube teve R$350 milhões de lucro'. Mas quantos títulos ganhou? No final, o clube tem que trabalhar com alegria. Só que também você não chega nesta alegria neste momento sem um processo ou gestão e organização. Sabe por que? Porque o jogador não vem pra clubes assim mais. Eles têm uma visão extremamente profissionalizada. Eles não vem mais para clubes que não oferecem um mínimo de estrutura e organização para poder jogar. E estão certos. Virou uma relação profissional de fato. Como é o centro de fisiologia e recuperação do atleta? Como vão ser tratados para melhorar a performance? Ele não só olha o aspecto da marca do clube, que o projete, mas também a estrutura. Se você não tem isso, não atrai os melhores jogadores. E se você não tem os melhores, não chega a lugar algum. É uma mudança completa do que é feito hoje. O Vasco comemora hoje o Caprres. Mas o Caprres é medíocre pelo ponto de vista do mercado brasileiro e mundial. Estou falando dos cinco melhores do Brasil e do mundo. É bom perto do que tinha antes? É. Mas o que isso visualiza ao mercado? Nada. O Vasco tem atletas se lesionando e na metade do segundo tempo está com dificuldades para correr. Não é desta temporada. Você vê claramente essa dificuldade dos jogadores em manterem o ritmo no segundo tempo. O time fica lento. Isso é trabalho físico. Se não consegue uma profunda reforma nisso não consegue atrair o melhor. E não consegue o melhor resultado.

ESPN - Qual a sua relação com o Vasco? Como surgiu a ideia de se candidatar a presidente?

Julio Brant - Minha história começou desde que nasci porque minha família é toda sócia do Vasco. Quando foi em 2013 eu estava morando em Portugal e o Edmundo me ligou para participar de um projeto de revisão do modelo de gestão do Vasco. Ele sabia da minha especialização de modelo de gestão e reestruturação de grandes empresas. Eles estavam montando uma turma de executivos do Ibmec de amigos do Edmundo. Eu não conseguia participar porque estava em Portugal e como era responsável por países da África vivia viajado.

Eu contribuí no projeto com meu conhecimento e na minha relação com o pessoal do futebol, principalmente com Benfica e Porto. Eu comecei a trazer conceitos do futebol português, francês e alemão para o Brasil. Em 2014, começamos a buscar durante a Copa fazer um projeto para entregar a algum candidato. Nós percebemos que não tínhamos candidato. É uma estrutura muito fechada em política e viciada do clube. Todos tinham a mesma visão e o mesmo modelo de atuação. Uma visão muito singular do Vasco. Tipo: ‘Vamos lá, cada um coloca um dinheiro, faz um fundo para ajudar Vasco’. Esse dinheiro não resolve os problemas do Vasco.

Precisa fazer um projeto que o mercado compre e que entenda que o Vasco é uma excelente oportunidade para desenvolver marcas e produtos, ou esquece. Não vai resolver o problema do Vasco tornando o time competitivo diante situação caótica que o clube se meteu nos últimos 20 anos. São 20 anos de queda e de crise. Não se reverte isso de uma hora para outra porque neste tempo o mercado de futebol mudou muito. As cifras cresceram muito. Como se resolve isso de uma hora para outra? Não se resolve com o dinheiro dos portugueses da padaria. Esquece. A gente percebeu que iam colocar o projeto na gaveta e esquecer. Precisávamos mudar e politizar o grupo. Fizemos uma pesquisa para ver que tipo de candidato que a torcida queria e elencamos os candidatos. Nisso, o Edmundo me convidou e eu aceitei.

ESPN - Quem são seus principais apoiadores?

Julio Brant - Temos apoio de grandes beneméritos, grupos políticos do Vasco e ex-jogadores. Grandes ídolos da história recente como Edmundo, grande liderança que juntou esse processo, Pedrinho, Felipe e Mauro Galvão. Esses são os nossos grandes apoios. Nelson Sendas é o nosso vice, que tem uma família muito relevante na história do clube. O pai dele fundou uma rede de supermercados aqui no Rio que foi vendida ao Pão de Açúcar.

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